Tem coisas que nunca te contei, algo que nem eu mesma admito que estou pensando enquanto quero nao pensar. Nas noites mais quentes, quando o silencio faz companhia de forma mais redundante. Me pego imaginando uma casa que antes não era tão vazia.
A vida que não aconteceu, o sonho que não realizou, a viagem que não foi feita, o beijo que não foi dado, o abraço nunca tomado. Não há medo por sentir demais, não se anseia por despedidas antecipadas, nem traições amargas.
Na escrita, existe o nós. Uma bagunça que eu tenho e você nao tem. As coisas simples que gostamos, a música como pano de fundo enquanto cozinhamos. Os corpos se olhando em um banho demorado, o perfume que fica nos travesseiros amassados. Tudo misturado.
O que ecoa pelos cômodos começa com a nossa risada e termina com nosso sussurros baixos ou suspiros pausados. Não preciso me perguntar se sou amada ou não, se tenho alguém por mim. Finalmente, esta é só mais um compilado de palavras nunca enviadas, onde não sei se falo mais de mim, da minha esperança ou de você.
Fico na mesma intensidade que fui deixada. Sem promessas, sem frases incompletas, sem duvidas. Sem ser procurada, nem encontrada. Virando uma correspondência, sendo a remetente não correspondida de uma casa desabrigada.
0 Comentários







