E se você se lembra das minhas palavras, quem sou eu para não afirmar? Nas entrelinhas pouco falo, mas muito me demonstra e você nota. Nota no vermelho das minhas bochechas, no sorriso de canto, no quanto eu olho sem querer de fato, olhar. Você procura desculpas para me ter e eu para te afastar.
Não daria certo, uma única fagulha incenderia o prédio. Uma única vez e perderíamos o resto. E quem seriamos nos senao culpados por tentar? Eles notarão, mas eu também ei de enxergar. Na sua reação ao me ver, no seu sorriso despretensioso que falha ao nao me dar. Me conta a verdade, mas já desistiu de negar.
Admite ao pegar nas minhas mãos e mais ainda ao chegar perto demais. Ao me puxar por trás e afastar meus cabelos para descer beijos na minha nuca. Eu fecho os olhos pra te sentir e você para inspirar. Se subir minha blusa, sentirá minha pele quente esquentar.
Me segurando pelo queixo, olhar nos olhos já fala muito sobre desejo. Subimos pelas paredes e guardamos um segredo. Câmeras desligadas, roupas jogadas. Uma noite destruiria tudo que queremos negar. Pediríamos para repetir , mas não saberíamos desligar a razão da emoção. O mundo sumiria e existiríamos aqui e agora.
Somos dos outros mas nunca um do outro. É complicado demais afirmar, o medo de tentar e falhar. As desculpas sao dadas, mas cada vez perde-se um pouco do muito . E eu aceito. Não sou tua, mas também sei bem de quem eu era. Já quis que ficasse, mas nunca imploraria por isso de novo.
E das coisas impossíveis acontecendo no mundo, temos eu e você, jogados em uma parede, escondidos de fora, mas fervendo por dentro. Mãos no pescoço, beijos intensos até o relógio tocar e irmos embora para depois falar o que deixamos de fazer. O teor alcoólico me embriaga depois da sua ida, mas nada como meus olhos em você, nem as sensações que eu faço você ter sem nem falar.
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