Mudando de rota, sem trocar de capa.
Sem divergir essência, sem sentir sua ausência.
Com uma lágrima no meu coração,
esse foi o aviso da minha intuição.
Nas pequenas tentativas, moldo o dia a dia.
Converso com a rotina e a chamo pra brincar.
No enfrentar do novo, me desafio a tentar.
E nessa coragem, me tiro para dançar.
Estarei em outra rota, te desejando sorte na caminhada.
Me retirando devagar , com leveza.
Ainda com a cicatriz do que fomos um dia,
Do que seria verbo e virou uma história,
que não será contada para nossos filhos.
Os capítulos serão narrados sob outra perspectiva.
Com dias de sol e chuva, tempestade e ventania.
O relógio contará horas não vividas,
sonhos nao realizados, palavras não cumpridas.
E se nas tuas entranhas, sentir o peso das horas não vividas,
o interstício estará na espreita de um dia.
Entre dois eclipses, duas constelações.
Por agora, sou como onda que se retira:
levo estrelas, deixo trilhas na areia.
A esperança é minha bússola,
apontando para onde a dor não queima.
Quebro as pontes que ergui, guardo-as na bolsa,
as cartas não lidas, os sonhos do adejo.
Cuja lição foi dura, mas aprendida.
Onde os mapas eram entregues,
mas tu não eras navegante — e sim, espelho.
Parto em passos curtos, leves, de chuva miúda:
cada gota apaga uma lágrima que desce.
O mesmo talvez antigo, deslizando sob sorrisos.
O amor que um dia te dei volta em névoa:
suspenso e poderoso. Porém, eu — agora — aprendo a ser exílio.