Eu desejei que fosse a última coisa a ser dita. O último beijo a ser tomado. O ultimo suspiro do afago. O ultimo olhar antes de tudo dar errado. Quis que fosse o último para que o inicio pudesse começar. Não por medo de recomeços, mas por ter encontrado o final para os começos felizes.
Dandelion
Eu desejei que fosse a última coisa a ser dita. O último beijo a ser tomado. O ultimo suspiro do afago. O ultimo olhar antes de tudo dar errado. Quis que fosse o último para que o inicio pudesse começar. Não por medo de recomeços, mas por ter encontrado o final para os começos felizes.
Passagem
Parece que faz anos que na minha cabeça chove e disso é impossível desmentir. Exagero ou não, sinto que fico procurando sem nada encontrar. Apenas seguindo dia após dia, vasculhando dentro algo que possa me salvar. Pássaros tristes ainda voam, sabia disso? Eles precisam voar.
E eu posso dizer que te odeio, mas se chegasse perto demais, não sei o que faria. A paralisia me impediria de movimentos bruscos, de seguir vontades incontroláveis e tentaria na mente o que tentei na realidade. É dificil rir quando a piada sou eu, e eu fico imaginando que tudo de bom poderia ter acontecido ao invés das ruins.
Meia noite
Meu antigo vício de encara-lo me trazia calmaria no caos. Me perguntei porque tinha parado de ve-lo como abraço a quem antes me via de cima. Dentro do meu peito, não pertenço tanto ao chão que toco, mas ao infinito que espero. Colidindo em pensamentos, fazendo barulho no silencio.
O relogio que bate á meia noite, o qual recebia preces, agora não é alvo de pedidos bobos. O mesmo tempo que era gasto vendo, agora é tomado de formas diferentes. Sem tantas lagrimas, com poucas palavras. Celebrando alguns momentos, apoiando outros alentos, escutando mais e se doando um pouco menos.
Ainda é meia noite, e ela ainda existe. Quando se chega perto, ela se afasta rapido demais. Aprendeu que com palavras demais é traída e com o de menos, é negada. O equilíbrio das suas páginas está nos enigmas. E suspira como se pudesse soltar tudo o está prendendo.
E com as outras pessoas, ela se esvai. Quando queria tudo, perdeu uma versão que poderia ser, mas tornou-se a melhor história para se ler. Não se pode quebrar o que continua quebrado, mas pode continuar estilhaçando o que não está colado. Então, fecha os olhos, sente a brisa, se cobre mais um pouco e quando o dia amanhecer, talvez a queira de novo.
Navegantes
Mudando de rota, sem trocar de capa.
Sem divergir essência, sem sentir sua ausência.
Com uma lágrima no meu coração,
esse foi o aviso da minha intuição.
Nas pequenas tentativas, moldo o dia a dia.
Converso com a rotina e a chamo pra brincar.
No enfrentar do novo, me desafio a tentar.
E nessa coragem, me tiro para dançar.
Estarei em outra rota, te desejando sorte na caminhada.
Me retirando devagar , com leveza.
Ainda com a cicatriz do que fomos um dia,
Do que seria verbo e virou uma história,
que não será contada para nossos filhos.
Os capítulos serão narrados sob outra perspectiva.
Com dias de sol e chuva, tempestade e ventania.
O relógio contará horas não vividas,
sonhos nao realizados, palavras não cumpridas.
E se nas tuas entranhas, sentir o peso das horas não vividas,
o interstício estará na espreita de um dia.
Entre dois eclipses, duas constelações.
Por agora, sou como onda que se retira:
levo estrelas, deixo trilhas na areia.
A esperança é minha bússola,
apontando para onde a dor não queima.
Quebro as pontes que ergui, guardo-as na bolsa,
as cartas não lidas, os sonhos do adejo.
Cuja lição foi dura, mas aprendida.
Onde os mapas eram entregues,
mas tu não eras navegante — e sim, espelho.
Parto em passos curtos, leves, de chuva miúda:
cada gota apaga uma lágrima que desce.
O mesmo talvez antigo, deslizando sob sorrisos.
O amor que um dia te dei volta em névoa:
suspenso e poderoso. Porém, eu — agora — aprendo a ser exílio.
Solo
Dos abraços fortes e seguros, do cheiro que inebria e me faz perder os sentidos. Das carícias doces que evoluiam para os apertos fortes, as mãos nervosas e os suspiros. Entre beijos nos perdemos. Um pouco de cada um, sem ceder muito.
É corajoso se disser que ainda temos algo quando se quer fugir de tudo. Não julgo, não mais. Mas, também não me importo, não tanto se o teu beijo não me esquenta mais. Se o teu olhar não me namora, se o teu toque não me causa descargas eletricas. Se suas piadas não me fazem rir. A palavra não convence desde que a ação seja seguida.
Não há mais fetiche no meu amor. Eu te empurro para longe e não deixo tão perto. Sem exageros na risada, sem palavras sem graça, sem toques escondidos, sem beijos roubados. Acesso negado, portas fechadas e agora não somos mais nada.
Um brinde aos pes descalços, ao coração lavado, ao entendimento que nos levou ao fim. Um brinde a nossa continuação , porém solo e onde é cada um dentro de si. Já que você não conseguiu mergulhar em mim.







