Existe gente que segue persistentemente, outras ficam silenciosas. Tiram a figura do pedestal, descem da obsessão e ficam caladas. Cansadas de esperar ações que nao vem, decisões esquecidas e palavras que voce desejou ouvir.
Seguir em frente é mais dificil do que pensei. Metade do tempo não sinto o chão sob meus pés, perco o ar de vez em quando e gosto da sensação de apneia. É uma luta interna dentro de mim mesma, onde não sei se sou corrosiva ou sádica. Os dois, provavelmente.
Tons de cinza colorem meus dias. Eu te desejo e pinto de cores o que devia ser preto no branco. Você veste amarelo e eu te odeio um pouco mais, porque é quando estou em silêncio que resolve fazer barulho. Bagunçar meu foco e retalhar a decisão que decidi tomar. As pontes foram erguidas, as armas continuam apontadas e eu te dei o melhor de mim quando nem inteira estava.
Guardei as páginas mais interessantes para voce me ler, e mesmo assim voce larga o livro na metade. Folheia, delicia e sente falta. Mas, pouco fala. Gosta de me arrancar sorrisos, de me tocar de novo e mais uma vez. Quer me tirar o ar, chegar perto demais. Sussurra para me atentar, mostra o que já toquei e pensa que não percebo as intenções intrusas. Me afasto, porque se chegar perto demais, vou tocar pedaços que eu já sonhei em ter.
Observe-a se afastar, de longe e continua seguindo em frente. Escondendo suas cicatrizes, lembrando quem ela poderia ser. Acabou as confissões. Finalmente aprendeu com seus erros. Foi-se com a brisa do ártico. Porém me mantenho firme. Fui ensinada a guardar tudo o que ja me doeu e ainda dói, e como o tempo nao cura tudo, ele ensina a esconder. Tornando-me uma mulher de inverno. Sendo metade triste, metade bonita. Continuando quando eu queria ser além de uma história de arrependimento.
Parece que cometi um grande erro e eu morreria se alguém me rasgasse de novo. Divirta-se um pouco mais, fume mais um ou dois. Beba mais duas ou quatro. Não estarei entorpecida da proxima vez. Uma silhueta inacessível, observando-os de longe e distante de prazeres desesperados, de bocas sujas, de mãos incontrolaveis.
No alto de uma colina, vestida de vermelha, meu coração se torna gelo e para derrete-lo vai precisar ser muito mais que amigo. Suprimindo a tristeza, sem segundas chances. Areia sob meus pés, mar azul ao meu redor, sozinha no meio de gente demais.
Sem juramentos ou planos envolvidos. Foi preciso um golpe certeiro no peito para se tornar uma rainha de copas. Sem choros, sem declarações. Quem sabe na espera pelos dias mais quentes. Ela que continua, escorrendo como areia no seu deserto.