Mostrando postagens com marcador Inspiração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inspiração. Mostrar todas as postagens

TEXTO: a lógica inexplicável da vida

                Cia siaip grazi

        Meu pai sempre me diz que nunca se pode ter tudo, em alguma hora perdemos alguém ou algo que mais queríamos. E eu entendo, ou pelo menos tento aceitar o fato que não poderei ter várias coisas . Se também sei o porquê? Não, pois essa é são as respostas que não me foram explicadas ainda.
     De vez em quando, corro na praia. Gosto do vento frio no rosto e do impulso que dou para ir mais longe. São nessas horas, que meus pensamentos somem. Sou eu ali contra o mundo. A minha vida em uma corrida pelo ar. A adrenalina é incontrolável e percorre o meu corpo. Quando paro, tudo é descarregado: o suor, o leve tremor das pernas e a sede. De repente, perco também a capacidade de usar as palavras e fico enfurecida com o quão cansada me permito estar em um momento que quero fugir de tudo.
    Volto para casa e os pensamentos voltam. Talvez eu sempre tenha tido a ideia errada de quem eu era. Mesmo assim, insisto nas pequenas coisas que me fazem ser quem sou, naquelas que nunca abandonei porque sempre estiveram dentro de mim. Grandes mudanças aconteceram: pessoas se foram, outras voltaram, coisas se perderam e mais novas foram encontradas. E talvez, seja por isso que a vida não se explica. Ela é inexplicável.
     Meu pai também me disse uma vez para não cometer os mesmos erros e se cometer, não se culpe por eles. Ele também me ensinou que precisamos aceitar o que a vida nos dá e tira. Aprender com a dor que recebemos e a fazer coisas importantes quando estamos preparados. E sabe , acho que ele está certo.

     A vida é dura, surpreendente e prova o quanto estamos despreparados para tantos desafios. Ela força nossa mão, nos faz cuspir palavras e formar frases inacabadas. Tomar decisões quando não estamos prontos para arcar com as consequências. E concordo que no final de tudo, estou à mercê do inesperado, do não planejado. Por mim, tudo bem, a vida é uma estrada e na realidade, ela não tem placas indicando direções. Só nos resta, seguir em frente e não desistir.


Inspiração: Felicidade - Clarissa Corrêa

        

"Alguém disse que uma pessoa precisa de outra para ser feliz. Um dia acreditei cegamente nisso. Precisa. Hoje, distante da solidão dolorida e insucessos amorosos constantes, que somavam e se multiplicavam, eu digo que não acredito mais. Uma pessoa não precisa de outra para ser feliz. Porque uma pessoa precisa, isso sim, descobrir a felicidade sozinha. (Saber tudo o que gosta e o que pode ser descartado. Isso a gente só aprende sozinho. E isso ninguém pode nos tirar.) Precisa curtir momentos a sós,  com os amigos, com outras bocas, com diferentes rostos. Todo mundo precisa disso. Precisa conhecer e sentir toda a liberdade que a solteirice dá. Mesmo que a solteirice pareça monótona, chata e mesmo que, no fundo, a gente sempre busque um grande amor. Acho que o amor não tem muita explicação, a não ser a seguinte: a gente precisa estar preparado para a chegada dele.

Porque é difícil, é muito difícil amar. E dói. Não pense que ao encontrar o amor da sua vida os dias se transformarão em delícias sem fim. Dói. O amor de verdade dói. Ele arranha. Você fica com medo que um dia o sentimento te abandone. Isso causa dor. Dói. Eu insisto: dói. Não é um mar de rosas, depois que passa a fase inicial e você conhece os defeitos de trás para a frente, dói. É uma dor doce. Mas você não precisa da outra pessoa. 


Você gosta de como ela te abraça, te entende, te ouve, te beija, te olha. Você acha bonita a forma como ela mexe a colher dentro da panela, amarra o sapato, segura o guarda-chuva, tosse, liga a televisão. Só aquele tom de voz te tranquiliza, só aquele abraço te salva do caos de uma semana infernal. Você tem consciência que existem outras coxas,peitos, braços, pernas, olhares e cérebros no mundo. Você sabe que existem outras pessoas bonitas, atraentes e cheirosas no planeta. Mas só aquela te deixa com tesão. Tesão por tudo. Pela vida. Pela crença no amor de verdade. Pela vontade de juntar as escovas de dentes e as meias na gaveta. Pela magia que o amor traz. Pela rotina que o amor traz. Pela chatice que o amor traz. Porque o amor também é chato, um legítimo velho resmungão.

 O amor também é cheio de tédio. Mas se você sente que só aquela pessoa vale e merece essa dor que acompanha o amor, então é porque você ama com tudo o que você pode. E, aí sim, é que você está completamente livre. Livre para ser quem quiser. Para fazer o que tiver vontade. Para exercitar a sua solidão. A dois. Somando.Fazendo crescer."


Clarissa Corrêa é gaúcha, redatora publicitária e escritora. É autora de três livros: Um Pouco do Resto, O amor é poá e Para todos os amores errados e também é colunista do site da revista TPM. Atualmente, faz freelas dentro e fora da propaganda. Produz conteúdo e escreve para sites, assim como também faz textos sob encomenda, votos de casamento, homenagens e textos em geral. Clarissacorrea.com 

Inspiração : Clarrisa Corrêa

      

"É cômodo amar quanto tudo vai bem. Quando você acorda e vai tomar banho, escovar os dentes, colocar uma roupa limpa. Quando você me dá flores, prepara o café da manhã, puxa a cadeira para que eu sente ao seu lado. Quando você diz que vai me dar aquele anel que eu fiquei de olho na vitrine da joalheria, me escreve um cartão cheio de palavras e rimas bonitas, me faz um cafuné, dá um abraço longo, cheira meu cabelo e diz que tem cheiro de chá de camomila. Quando dirige com a mão na minha perna, fica me observando cantar música brega, faz carinho com o pé no meu pé antes de dormir, coloca o braço por cima da minha cintura e diz vem-mais-pra-perto. Assim todo mundo sabe amar.


Difícil é amar quando alguma coisa dá errado. Quando a casa está uma bagunça, quando as contas começam a crescer e o dinheiro diminuir, quando qualquer palavra vira ofensa, quando um silêncio se transforma em dúvida. Quando sobram palavras entaladas na garganta, quando falta um gesto que era pra ter marcado presença, quando o beijo é rápido, o olhar é vazio, o abraço é curto, as promessas falham. Quando o zíper da mala fecha e você não vai. Quando você espera por algo que nunca vem. Quando as expectativas começam a te sufocar. Quando os olhos ficam marejados ao lembrar do que podia ter acontecido, mas não aconteceu. Quando a porta bate, o tom de voz aumenta, a paciência se esgota, o humor não faz mais rir."

Clarissa Corrêa é gaúcha, redatora publicitária e escritora. É autora de três livros: Um Pouco do Resto, O amor é poá e Para todos os amores errados e também é colunista do site da revista TPM. Atualmente, faz freelas dentro e fora da propaganda. Produz conteúdo e escreve para sites, assim como também faz textos sob encomenda, votos de casamento, homenagens e textos em geral. Clarissacorrea.com 

Inspiração : Mude, Clarice Lispector



Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.O novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.

A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.

Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!"

Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik, Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920, veio para o Brasil em março de 1922, passou a infância na cidade do Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito.Clarice Lispector estreou na literatura ainda muito jovem com o romance "Perto do Coração Selvagem" (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha.Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro.Entre suas obras mais importantes estão a reunião de contos em "A Legião Estrangeira" (1964), "Laços de Família" (1972), os romances "A Paixão Segundo G.H. (1964) e "A Hora da Estrela" (1977).Clarice Lispector faleceu no Rio de Janeiro no dia 9 de dezembro de 1977.
Um dos maiores nomes da prosa introspectiva, cheia de personagens que exploram o caráter do ser humano e seus conflitos interiores. ♥

Inspiração: Tati Bernardi

Ele não ligava, nem mandava mensagem durante semanas. Mas tinha uma mania sacana de aparecer quando ele já tava quase desaparecendo da minha cabeça. Era carência, tava na cara – e faltava vergonha na minha, porque eu sempre acabava cedendo. Não me dava valor e ainda ficava indignada por ele não dar também. 

Eu aceitava ser a última opção e ainda tinha a cara de pau de espernear e choramingar por ai usando a maldita frasezinha clichê de que nenhum homem presta. Claro que ele não ia prestar, pra que prestar com alguém que transpirava falta de amor próprio? Ninguém ama quem não se ama, ninguém respeita quem não se respeita – doloroso, mas verdadeiro. 

E quando você não tá na onda de ser amada, ta tranquilo - um supre a carência com o outro e fim de papo. Mas eu tava afim de sentimento, tava super na onda de mãozinha dada e ligação de madrugada só pra ouvir um ”tava pensando em você”.

 E claro que ele não ligava, a gente quase sempre só pensa antes de dormir em quem causa aquele nervosinho de incerteza dentro do nosso peito – e eu tava sempre ali, um poço de certezas, não tinha porque ele pensar. Muito menos ligar.

 E foi ai que eu mudei. Parei de aceitar o último pedaço do bolo, se o primeiro pedaço não fosse pra mim, eu simplesmente ia embora da festa – não me servia mais. E olha só que mágico, ele nunca me chamou pra tantas festas e nunca vi alguém me oferecer tantos pedaços de bolo – a mágica só não foi tão boa porque eu simplesmente não queria mais. 

Não queria mais mágica, não queria mais bolo, não queria mais ele. Quando a gente passa a se valorizar a gente consegue enxergar nitidamente quanto os outros valem – e ele valia tão pouco, desencantei. Peguei meu coração e coloquei ele lá no topo de uma arvorezinha danada de alta, e vou te falar, nunca vi tanta gente disposta a escalar – homem adora um desafio. Pois bem, que vença o melhor!
Tati Bernardi, como é mais conhecida, nasceu em 1979 em São Paulo e formou-se em Propaganda e Marketing pela Universidade Mackenzie. Além da publicidade, Tati também dedica-se a literatura, já tendo quatro livros publicados, sendo os mais conhecidos: "A mulher que não prestava" e "Tô com vontade de alguma coisa que eu não sei o que é".Tati Bernardi consagrou-se com seu site, onde a maior parte do público são mulheres. Além disto, Tati também é colunista e cronista de revistas, como a Viagem & Turismo, blogueira e redatora da TV Globo. 

Inspiração: Estar sozinho,Tati Bernardi

Estar sozinho é engraçado, louco, angustiante, libertário e triste, tal qual estar com alguém. No entanto, estar sozinho é absolutamente o oposto de estar com alguém. Estar sozinho é fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem uma mão para segurar.

 É acordar sem saber o que será do dia porque planejar sozinho dá preguiça. É falar a coisa mais engraçada do mundo para alguém que não vai rir, porque ninguém te entende tão bem. É ficar louca sem cúmplice. Não tem graça ser fora da lei sozinho. É querer contar tanta coisa para alguém, mas para quem? 

A vida simplesmente acontece para quem está sozinho, às vezes sem que a gente perceba, pois é mais fácil ter noção de si mesmo através de outra pessoa. Estar sozinho é fazer dengo sozinho na cama, sem ninguém para apenas encaminhar o ombro um pouco mais perto. 

É comer doce demais porque sua boca precisa de um incentivo para continuar salivando vida. É comer doce demais porque estar sozinho dá uma tremedeira estúpida de hipoglicemia. É o doce que substitui mal e amargamente o sexo. 

Estar sozinho é dormir até tarde no domingo. Não para congelar o tempo na alegria, mas para fazer de conta que o tempo não existe. É conviver com a ansiedade de que você pode encontrar alguém especial a cada esquina, então você tenta ficar bonita. Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia.

 É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar. Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão. 

Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido. Estar sozinho é usar roupas provocantes sem se sentir sexy com elas. 

É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do nada. É morrer de medo do nada que fica no estômago. Estar sozinho é uma coisa física, ou melhor, é a falta dela. 

Você se sente oco por dentro, por isso aquele respiro profundo de lamentação. É cogitar enlouquecer. O ombro pesa porque é tenso ficar sozinho. E porque não tem ninguém pra te fazer massagem também. Quando chove, venta, escurece, e você está sozinho, você lembra de Deus e do quanto é pequeno.

 Estar sozinho é se aproximar de Deus por piedade própria e não por agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele quando estamos amando. Estar sozinho é detestar ficar em casa. Ficar em casa sozinho, quando se está sozinho, é muita solidão. Então você sai, só para não ficar em casa sozinho. E descobre o quanto você é sozinho. E volta pra casa sozinho, e chora vendo fotos.

 Estar sozinho é implorar paixão e loucura com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de você ver que ele não está sozinho. É trabalhar para passar o tempo e só conseguir escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem inspiração. 

É procurar um olhar pela rua e andar por aí com cara de louco. É estar pronta para algo novo e não aguentar mais dias iguais. É ocupar a vida de açúcar, intrigas, fofocas, encrencas. Aventuras tortas. É ocupar a vida dos outros com reclamações, lamentações, dúvidas e carências. Resumindo: estar sozinho é triste, enche o saco dos outros e deve fazer mal para a saúde.

 — Tati Bernardi , como é mais conhecida, nasceu em 1979 em São Paulo e formou-se em Propaganda e Marketing pela Universidade Mackenzie. Além da publicidade, Tati também dedica-se a literatura, já tendo quatro livros publicados, sendo os mais conhecidos: "A mulher que não prestava" e "Tô com vontade de alguma coisa que eu não sei o que é".Tati Bernardi consagrou-se com seu site, onde a maior parte do público são mulheres. Além disto, Tati também é colunista e cronista de revistas, como a Viagem & Turismo, blogueira e redatora da TV Globo. 


Inspiração: Tati Bernardi

                   Mmmmmmmmmmmmmmm

Para não sofrer eu vou me drogar de outros, eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente.

 Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. 

Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar. Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era.

 Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.

 Tati Bernardi, como é mais conhecida, nasceu em 1979 em São Paulo e formou-se em Propaganda e Marketing pela Universidade Mackenzie. Além da publicidade, Tati também dedica-se a literatura, já tendo quatro livros publicados, sendo os mais conhecidos: "A mulher que não prestava" e "Tô com vontade de alguma coisa que eu não sei o que é".Tati Bernardi consagrou-se com seu site, onde a maior parte do público são mulheres. Além disto, Tati também é colunista e cronista de revistas, como a Viagem & Turismo, blogueira e redatora da TV Globo. 

Inspiração: Só enquanto eu respirar


Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. 

Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. 

Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança.

 Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! 

Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.

Clarissa Corrêa é gaúcha, redatora publicitária e escritora. Já trabalhou em várias agências de Porto Alegre: Oxigênio, Super Comunicação, Escala, Martins + Andrade, e 21.  É autora de três livros: Um Pouco do Resto, O amor é poá e Para todos os amores errados e também é colunista do site da revista TPM. 






Inspiração: Retrovisor,Fernando Anitelli

                DO YOU REMEMBER? | via Facebook
"Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra
E na verdade nada muda
O menino que me pediu R$0,10
É um homem de idade no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
É mãe de filhos que não conhece
Vende-os por açúcar, prendas de quermece
A placa do carro da frente
Se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso
E quando o faço nem noto
Outras flores e carros surgem no meu retrovisor
Retrovisor é passado, é de vem em quando do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde, próximo, seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu

Retrovisor nos mostra o que ficou
O que partiu, o que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi
Calçadas e avenidas
Deixa explícito que se for pra frente
Coisas ficarão pra trás
A gente só nunca sabe que coisas são essas."

Fernando Anitelli é um músico, compositor, ator e o responsável pela crianção do Teatro Mágico, projeto inspirado no livro do escritor alemão Hermann Hesse, chamado "O lobo da estepe".O Teatro Mágico é uma mistura de circo, poesia e discussões políticas, que debate temas como arte e cultura.

Inspiração : Meu lado que ninguém percebe


Eu disfarço muito e quase ninguém percebe. Tem um monte de gente por aí que acha que me conhece o suficiente. Outros tantos acham que sabem o bastante sobre a minha vida. Entra no meu mundinho quem eu deixo. Acho que a gente não deve escancarar a vida, tem coisa que é só nossa e de mais ninguém. Quanto mais a gente dá liberdade para os outros mais eles se sentem no direito de se intrometer e meter o bedelho. Não gosto, pois da minha vida cuido eu. Das minhas coisas só eu sei. Do nosso amor a gente é que entende e sente.

Muita gente me acha bem extrovertida e falante. E eu sou. Mas uso isso como uma espécie de proteção, camuflagem, escudo. No fundo, acredite, sou tímida. Bem tímida. Sou tão tímida que fico vermelha quando me envergonho. Vermelha mesmo, pareço um pimentão. E apesar de ser libriana eu odeio aparecer. Juro.

Sempre tive peito grande, por isso andei com os ombros curvados por grande parte da adolescência. Tinha vergonha dos peitos, de pensarem olha-lá-ela-já-tem-peitão. Eu chamava atenção, tinha sardas, era loira, peituda, bunduda, então tinha vergonha de ser mulher, queria me esconder, não queria ser notada, não queria me destacar. Era o oposto de todas as meninas da minha idade: todas queriam chamar atenção de alguma maneira. Eu queria me esconder do mundo até o fim do mundo.

Na verdade, acho que sempre tive vergonha do meu lado mulherão. Por isso, até hoje me escondo atrás de meninices. Gosto de pijamas fofos, coisas com fru-frus, abobadices e coisas queridas em geral. E o lado mulherão? Cadê a cinta-liga, o batom vermelho, o olhar fatal, a jogada de cabelo? Não sei. Sei que isso tudo está em algum lugar de mim, mas acho que por tanto tempo escondi meu lado uau que agora ele brinca de pega-pega comigo. Tomara que eu consiga ter a coragem de pegá-lo de uma vez e, enfim, não ter a menor vergonha de me descobrir e ser quem eu, lá no fundo, sou.

Clarissa Corrêa é gaúcha, redatora publicitária e escritora. Já trabalhou em várias agências de Porto Alegre: Oxigênio, Super Comunicação, Escala, Martins + Andrade, e21.  É autora de três livros: Um Pouco do Resto, O amor é poá e Para todos os amores errados e também é colunista do site da revista TPM. 


Inspiração: Despedida, Martha Medeiros



Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.





Sobre a autora: Tenho certeza que já ouviste falar sobre a Martha Medeiros. Talvez tenha lido por ai e seus textos refletem mais do que nós podemos expressar. 
Nova "tag" no blog para divulgação de textos de autores que eu amo.

Certeza da mudança


O despertador toca, o maravilhoso cheiro de café invade o meu quarto, finalmente acordo de um sono de quase 3 meses e um lindo sorriso vem me dar Bom dia.

Nos quase 3 meses, vivi sonhos e pesadelos, conheci princesas e bruxas, fome e fartura. Os problemas das nossas vidas, são valiosos ensinamentos, uma preparação para que possamos ser fortes e enfrentar demônios maiores.

Viver sem a preocupação do amanhã ou viver hoje só pra garantir o amanha?
As vezes, eu não sei quem eu sou, como cheguei até aqui, se um dia ficarei velhinho e se o velhinho que vejo todos os dias sentado na praça, perto da minha casa, um dia já foi criança.

Qual realmente é a cor do céu? 
Será que ela me tem amor como eu tenho por ela? 
 Meus Deus… será que ela ao menos existe de verdade?

Duvidas, duvidas, duvidas e mais duvidas. 
Como viver com tantas perguntas, algumas até sem respostas?
Como viver sem  saber se realmente estar vivo, se ao menos estou acordado.

Não seja tão literal, viver no óbvio as vezes é um saco, uma merda!

Meu sono não é de cama, minha morte não é de vida. 
Há coisas bem além dos olhos, bem além do óbvio!


♥ Texto escrito por Felipe Sena, um preto como café, ás vezes amargo e sempre, sempre forte.Letras, notas, litros. Seu relógio de pulso de vez em quando para e ele nem percebe, só assim tem mais tempo pra viver alguma coisa boa. Não é nenhum escritor, é só um discípulo aplicado da correria da sua vida. Um admirador de todos os pontos, virgulas, reticências e pontos finais que divinamente alimentam sua cabeça e Seu coração literário.  Para saber mais : Felipe Sena

Inspiração: Crônica de amor, Martha Medeiros



Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim. 

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


Sobre a autora: Tenho certeza que já ouviste falar sobre a Martha Medeiros. Talvez tenha lido por ai e seus textos refletem mais do que nós podemos expressar. 
Nova "tag" no blog para divulgação de textos de autores que eu amo.

Escrever me salva, as vezes. Destroi também, alivia, mas machuca. A ambiguidade da vida. Bem vindo(a), esta é uma parte minha, que também pode ser sua. Com amor, Bia .




Facebook

Busca

Populares

Tecnologia do Blogger.