Faca

                    



 Não há nada que não tenha tentado. Batendo na ponta de faca, quebrando as paredes para reconstrui-las. Tenho medo que minha fortaleza seja de vidro e qualquer toque, me rache no meio como as ultimas vezes. No corredor do apartamento, alucino até te ver. É engraçado como os flashbacks vão e voltam a noite. Me colocando na frente de cada garota que já fui um dia.


Cedo ou  tarde, curvo ao meu silencio, me perco na multidão e tento me convencer que não sou um problema a ser resolvido. Como um nó escorrego no meio dos outros. Me sinto bem em um dia , mas no outro não sei quem sou. 


Confronto as minhas versões que já bateram na parede, e eu mesma sei o custo de sofrer pelo impossivel. Bato mais forte, mas eles me pegam. Me arrancam a socos e tapas, mas eu cedo. Instavel e piorando, não merecendo ficar, mas querendo estar.


Anestesiada até sentir a lamina que tece minha pele, fazendo meus olhos fecharem, cansada de brigar com cada versão que tentei brincar. Cedo ou mais tarde, o colapso vai vir e estarei perdida em meio mundo. Levanto a voz para me convencer que não há nada de errado comigo a não ser te querer. Nunca demais, sempre insuficiente, sem mais.


Virei um beco sem saida, sem ter para onde ir, só querendo fugir. Houve compreensão, mas não foi entendida. Não há ninguem esperando , mesmo quando se planejava acelerar. Desacelera, se afasta e se agarra com unhas e dentes. Para nao se perder do que restou quando deixei de te querer.

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Escrever me salva, as vezes. Destroi também, alivia, mas machuca. A ambiguidade da vida. Bem vindo(a), esta é uma parte minha, que também pode ser sua. Com amor, Bia .




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