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27 abril 2016

Texto: País das utopias , PARTE I


    Deste lado não há paraíso. Não há inferno. Estou no meio termo e caindo de um buraco longo. Vendo todas as arvores ficarem cada vez mais altas e o céu cada vez mais distante. Fecho os olhos, porque abri-los dói demais e cansei de chorar por ter caído em uma armadilha enquanto corria para me salvar. Teve um dejá vú com alguma outra história? Sim, estou caindo como a Alice das histórias do Lewis Carroll. Mas, não sou ela a caminho de um País das Maravilhas. Não depois do que aconteceu. Estou no caminho de nada em busca de mim, novamente.

   Acordei em uma situação mirabolante. Falei a todos que não tinha feito nada daquilo e ninguém acreditou em mim. Me chamaram de louca, doida de pedra e mentirosa. Fugi daquele lugar chamado de “seguro”, que de seguro não tinha nada, pois cada esquina parecia um labirinto, já não confiava mais em ninguém, e eu me perdia tentando sobreviver aquilo.

   De tanto correr, cai em um buraco profundo. Talvez eu tenha sido empurrada. A queda foi mais longa e dolorida do que eu esperava. Bati com força cada osso e músculo do meu corpo, que parece ter quebrado , ou talvez eu fosse de vidro, não aguentando a força da pancada. Abrir as pálpebras para entender onde eu tinha me metido era algo incompreensível. Onde eu estaria? Porque me sentia tão quebrada e dolorida? O que me levou aquela situação?
    
Procurei traços de sangue, mas só vi rachaduras. Vi meu coração bater mais devagar estilhaçando a cada maldita batida, e minha aparência era algo irreconhecível. Levantei-me aos poucos com os olhos vidrados na longa floresta de um mundo que eu não conhecia. Mágoa e dor povoaram pelos ares e era isso que eu respirava. Meu corpo,por vezes sucumbia ao desespero e eu pensava que nem eu seria real ali. Aquilo só podia ser um sonho. Um beliscão, um puxão de cabelo e eu acordaria em casa.
    
 Engano meu foi pensar que realidade não podia ser tão fantasiosa. Utópico ainda mais era pensar que tinha a possibilidade de acontecer com todo mundo, mas não comigo. É essa ingenuidade que nos leva a acreditar em palavras de papelão, onde qualquer vento derruba todo um argumento. Aquele mundo não era meu, nem seu, nem de ninguém. Vivia fugindo de algo que custava a acreditar. Podia cair tão baixo e ainda perder alguns parafusos da cabeça?

    
Se cair doeu, ver as cicatrizes me desconsolou. Quanto tempo levaria pare me recuperar? Por quanto tempo eu, que parecia ter se quebrado em mil pedaços assumiria a forma uniforme, sem grandes rachaduras? Cada vez mais longe da verdade e cada vez mais atrasada com o tempo. Passos pequenos, desviando de pedras, dando pulos nas cobras e segurando um coração de vidro de uma garota de vidro que tinha medo de se desmanchar em pedacinhos sem ter alguém que pudesse recolher e colar.


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