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11 julho 2016

TEXTO: PAÍS DAS UTOPIAS - PARTE IV


       De gota em gota, o oceano puxou a garota de vidro para dentro da sua imensidão. Lágrimas se confundiam com as ondas. Enquanto afundava lentamente, de olhos abertos via a transparência e a magnifica cor azul: a sua cor preferida a estava levando de volta as suas profundezas. 
      Por mal habito, tentou respirar e pensar nas coisas boas que iriam ficar no fundo com ela: aquele amor não correspondido, aquela amizade traiçoeira, aquele abuso do passado,  ás vezes que seus sonhos morreram na praia; o dia em que a mudança de mundo trouxe felicidade, mas também desafios antes inexistentes.
     Ela pensou em tudo naquele ultimo momento ."Aquela velha e pesarosa sensação da vida passando diante dos seus olhos". Tal sensação tirou o pouco do fôlego que lhe restava.Ela não queria isso. Não ter pensado nos detalhes doloridos a teria levado em segurança para algum lugar, para um porto seguro.
    De garota de vidro á garota permeável, que absorvia tudo e todos, mas nem tudo era bom, nem tudo era benéfico para sua vida. Embebida de tamanha tristeza e dor, que suas pernas ameaçavam ficarem moles e seu corpo despencar.
    O espaço começava a ficar pequeno. O ar a lhe faltar. Tantos seres passavam por ela e seu corpo flutuava como uma pena, com a leveza e a pureza de um pássaro. Ela quis sobreviver aquilo. Quis acordar do coma. Quis mostrar fortaleza quando tudo era um muro derrubado. Quis amar e teve seu coração perdido. Quis ajudar e a vida te deu tantos tapas, que sua feição não se abria em sorrisos. Quis e queria, desejou e não podia.
      Não que ela pudesse enxergar esperança afrente. Não depois de todo pandemônio que vivenciara. Tantas dores, tantas traições, tanta ingenuidade... Talvez ela odiasse mais a si mesma do que toda aquela turba a sua volta a qual chamava de vida. E sua única forma de exaurir tantos sentimentos calejados era praguejar ao vento com tudo o que podia, na esperança - talvez a sua única esperança - de desmaiar sem ar.





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