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15 janeiro 2016

Texto: Olhos na janela

o-que-eu-queria-te-dizer
   Estou colocando a cabeça para fora, da janela. Só isso por enquanto, mas mal consigo distinguir o delinear dos prédios, a intensidade das estrelas, a chuva do vento. Digo, sou míope, caro leitor. Se tirar meus óculos de madame, enxergo a formiga no parapeito da janela, mas confundo o avião com um pássaro longe. Especialmente hoje senti que não enxergava nada e se via era tudo uma confusão de formas e cores.As lágrimas estão turvando minha visão. Vejo tudo se fechar os olhos e se abrir não vejo nada. 
    Quando eu tinha uns 12 anos, procurava esconder meus óculos e mesmo com aqueles 0,25 graus eu ia de cabeça abaixada e não queria ser perturbada por usar um acessório que era visto com ridículo. Superei os palavreados e aceitei que deveria passar despercebida com óculos e isso facilitava minha vida. Os anos foram passando e meu grau só aumentava. Fala sério! Odiava ver outras meninas serem bonitas e eu a nerd da turma. 
   A armação dos meus óculos mudaram. A visão foi ficando mais nítida a medida que eu os usava ,claro. Fiz algumas escolhas e tomei algumas decisões. Amei com todo meu coração alguém. Mirei em mim também.
    Agora, meus óculos estão na cabeceira da cama. Não quero ver o quão a vida está nítida e cinza hoje para mim. Não desejo isso para ninguém, mas sempre tem aqueles dias que a gente quer colocar os óculos pretos para que as pessoas não reparem no quanto nossos olhos permanecem vermelhos da noite anterior, que passou em claro e chorosa por algum problema.
    Eu queria me proteger das minhas tristezas, das minhas decepções. Queria que alguém me protegesse e colocasse meus óculos novamente, pelos menos se eu visse o desastre , não estaria sozinha ali.
    Desejo ser a menina de 15 anos, de óculos , com uma mochila rosa nas costas que sentava na segunda cadeira da 4 fileira e que quando tirava uma nota 10 parecia que tinha ganhado o mundo.
Eu quero tanto ter esse sentimento de volta. Da tranquila, da calmaria de viver uma adolescência. Mas, são nesses flashbacks que nós temos que aceitar que crescemos, que somos obrigados a entrar na vida adulta. Custe o que custar. Teremos que decidir nossos caminhos e viver nossas escolhas. E acreditar que no final, tudo ficará bem.



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1 comentário


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Um comentário:

  1. Amei o texto Bia!
    -beijos, Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br/

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