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Resenha: O moletom, Julio Azevedo



Pedro precisa recomeçar depois da discussão que teve com seus pais sobre sua sexualidade. Por isso, resolve deixar tudo e passar um tempo com a tia, em uma nova cuidade. Seu coração está lidando com o que esta sentindo e com as magoas que tem da família.  Porém, Pedro conhece Lucas em uma cafeteria. Entre uma conversa, músicas, desenhos, Lucas desperta algo em Pedro, justo os sentimentos que ele estava querendo evitar.

Com uma escrita cativante, ilustrações fofas, , Julio Azevedo conta uma história fofa e de aceitação em Moletom.  Um livro de sessão da tarde e bem gostosinho de ser lido, mesmo não tendo me encantado por completo, já que tem algumas pontas soltas no enredo.

Às vezes a vida nos afoga, e tudo que precisamos é de uma mão para nos puxar para fora do mar." 

Se você curte romances LGBT ou que quer ler algo leve para sair de  uma ressaca literária, leitura fofinha mais do que recomendada. E apesar de não ter amado esse livro, por sentir que faltou muita coisa, adorei as ilustrações cheias de sentimentos e a mensagem que o autor quis passar através dele.


Nota:★(3,5/5)

Resenha: Quinze dias,Vitor Martins


Tìtulo:Quinze Dias

Autor: Vitor Martins
Editora: Vitor Martins
Ano: 2017
Páginas:208
Sinopse: Felipe está esperando esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai botar em prática. Mas as coisas fogem um pouquinho do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele não voltam de uma viagem. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

Quinze Dias é o livro de estreia do Vitor Martins e já adianto: conquistou meu coração !

Felipe é um garoto de 17 anos que só quer que suas férias cheguem logo. A escola é um verdadeiro inferno, já que seus colegas vivem tirando sarro dele. O motivo? Felipe é gordo. Então, seus dias são um tormento. Porém, 30 dias de férias estão chegando, muitas maratonas de séries seram feitas, livros lidos e muito descanso. Certo? Errado. Ele não esperava que o seu grande crush fosse passar 15 dias em sua casa, pois seus pais vao viajar. A presença de Caio provocará um misto de sentimentos e como lidar com o crush assim tao perto?



"- Coisas impossíveis podem acontecer se você começar a falar."

Quinze Dias foi uma leitura rápida, adorável e encantandora. São 208 páginas que eu leria outra vez e mais uma. Vamos acompanhar a convivência de Felipe com seu vizinho lindo, o Caio. Mas também, de autoaceitação e autoconhecimento. Felipe sempre se escondeu do mundo, atrás da sua aparência e do medo que tinha das pessoas. Para Felipe, não era tao simples ir na piscina, sair de casa e so se divertir, ou falar com o garoto que gosta.Só de pensar nisso, ele temia .


"- Um dia você aprende a gostar mais de quem você é, e isso vai refletir em como as outras pessoas vão te enxergar. Gente babaca vai existir para sempre, mas a gente aprende a resistir."


Caio  é uma gracinha do inicio ao fim. Impossível não rir com os diálogos, se surpreender com as cenas e torcer pelo sentimentos de ambos. Felipe, podemos ser amigos? Temos tanto em comum: livros, séries, batman... Foram poucas horas, mas que tornaram-se quinze dias dentro da história, uma jornada que amei acompanhar. Também é impossivel não ser cativado pelos personagens e se identificar com seus dilemas.

Quinze Dias aborda com sutileza,sensibilidade, leveza  e com humor temas como gordofobia, homofobia e bullying; como isso afeta as pessoas, como o preconceito é assustador, intimidante. Também temos romance, amizade e afinal, aprendemos a encontrar nossa força naqueles que amamos para enfrentar o que tanto tememos.

"Seu sorriso tem a intensidade de mil adesivos de estrelas que brilham no escuro." 

A beleza de Quinze Dias não está no clichê que poderia ter acontecido, mas na naturalidade com que as coisas aconteceram, com  a realidade dos personagens e com leveza dos detalhes. Um livro com muita representatividade, orgulho, amor, mostrando que podemos vencer o preconceito e superar nossos medos . Afinal, não devemos ter medo do nosso corpo, da nossa sexualidade. Todos nós merecemos entrar na piscina sem camiseta e sem medo algum.Merecemos ser quem quisermos . Então,seja.

 "Se a minha vida fosse um musical, agora seria o momento em que eu cruzaria o portão de saída da escola cantando uma música sobre liberdade e as pessoas dançariam em sincronia uma coreografia bem ensaiada."



Nota: ★★★(5/5) 

Resenha: Estamos bem, Nina LaCour

Título:Estamos Bem
Autora:Nina LaCour
Ano: 2017
 Páginas: 224

Editora: Plataforma21

Gênero: Ficção / Jovem adulto / LGBT / GLS / Literatura Estrangeira
Sinopse: Marin deixou tudo para trás. A casa de seu avô, o sol da Califórnia, o corpo de Mabel e o último verão agora são fantasmas que ela não quer revisitar. O retrato de uma história em que já não se reconhece mais. Ninguém nunca soube o motivo de sua partida. Nada se sabe sobre a verdade devastadora que destruiu sua vida. 

Agora, ela vive em um alojamento vazio e está sozinha no inverno de Nova York. Marin está à espera da visita de sua melhor amiga e do inevitável confronto com o passado. As palavras que nunca foram ditas finalmente se farão presentes para tirá-la das profundezas de sua solidão.

"O desconhecimento é um lugar escuro. É difícil se render a ele. Mas acho que é onde moro a maior parte do tempo. Acho que é onde todos nós vivemos, então talvez não precise ser tão solitário. Talvez eu consiga me acomodar, me aconchegar, construir um lar na incerteza"

Marin deixou a Califórnia e largou sua vida após a morte do seu avô, a quem era fortemente ligada. Agora, ela está em uma faculdade em Nova York , sobrevivendo dia após dia aos fantasmas do último verão. Uma história que tornou-se passado e ao qual ela não quer mais lembrar. Ela partiu sem contar a verdade a ninguém.

Ela  passará as férias sozinha no alojamento, porém sua melhor amiga vai visita-la no inverno. Marin está a espera do confronto com o passado. Das palavras que nunca disse, da verdade que nunca revelou e dos medos que não a deixam sair das profundezas da solidão.

O livro narra a depressão que Marin passa, seu isolamento do mundo, sua tentativa de interagir o mínimo possível com as pessoas: um fantasma na vida. Mas, com sua amiga ali, ela acaba exteriorizando seus sentimentos.

A história se passa em 3 dias: o tempo que Mabel passa no alojamento com Marin, logo dando a impressão que uma pequena conversa entre as duas torna-se sessão de terapia, já que aos poucos Marin vai se abrindo. Com uma narrativa alternando entre passado e presente, a história é melancólica e sensível. É possível perceber o quanto Marin está quebrada, já que tem a impressão de não ter realmente conhecido o avô, como se a relação dos dois fosse falsa.


Alguns fatos se tornam repetitivos com uma melancolia constante. Ainda não me decidi se gostei ou não do livro. Para mim, faltou aprofundamento. Mas, a mensagem da autora foi clara: nesses momentos de isolamento, solidão, o que pode salvar alguém é um abraço, uma palavras de  amor ou só estar presente.

Nota: ★★★(3,5/5) 

Resenha: Fera, Brie Spangler



Título: Fera
Autor: Brie Spangler
Editora: Seguinte
 Páginas: 336
Ano : 2017
Sinopse: Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando ele conhece Jamie, em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é linda, engraçada, inteligente e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele.
O que Dylan não sabe de início, porém, é que Jamie também não é como a maioria das garotas de quinze anos – ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.

Fera é o primeiro livro YA de Brie Spangler : uma releitura de A Bela e a Fera,que assim como o original traz a reflexão  de valorizar cada pessoa por sua essência  e não pela aparência . O tema é construído através do romance entre um garoto que sofre pelo seu físico e uma garota transgênera.

Dylan tem apenas 15 anos, porém está quase chegando a 2 metros de altura e tem tantos pelos no corpo que foi apelidado de Fera. Por causa da sua aparência, ele convive com o bullying diário e por causa de um pequeno acidente , ele comparece forçadamente a uma terapia em grupo. Lá , ele conhece a Jamie : uma garota linda, simpática e que compartilha com ele algumas semelhanças, entendendo-o como ninguém jamais entendeu.  

"... Não é o meu tamanho que me assusta. É o que carrego dentro de mim. Meu Hulk secreto está sempre logo abaixo da superfície, me provocando. Mas conheço os truques para mantê-lo adormecido.”

Porém, Jamie não é igual às garotas da sua idade : ela é transgênera, ou seja, ela se identifica como gênero  feminino, ainda que tenha nascido como menino.

A história é narrada pelo ponto de vista de Dylan, por isso acompanhamos os sentimentos e pensamento mais íntimos do protagonista . Dylan me cativou demais, não só por ser grandão e infelizmente ser julgado a todo momento, mas fez o papel de vítima , o que de fato poderia ter acontecido.

“Tudo que dá pra fazer é ser você mesmo e torcer para que alguém entenda.”

Porém, ele se recusa a enxergar o que está na sua frente, julgando suas emoções e sentimentos , afinal agindo do outro lado da situação: aquele que julga e tem preconceito . Logo, foi interessante ver seu amadurecimento durante a trama. Os personagens são complexos e assim como um paradoxo, eles despertam sentimentos mistos visto que dependem de suas atitudes. 

Todavia, senti que são personagens reais, pois existem pessoas com a mesma confusão de sentimentos quanto a várias questões abordadas no livro. Jamie foi minha favorita : clara quanto a si mesma, uma guerreira por enfrentar todos ao seu redor , forte e feliz quanto a quem é.  

"São as pessoas que tornam a cidade incrível, e hoje isso significa nós dois. Jamie e eu, nós somos incríveis."

A mensagem transmitida pelo livro é nítida. Torço para que tenham mais livros que abordem  identidade de gênero e todos os pontos envolvidos.  Precisamos aceitar as pessoas como elas são ou querem ser, não pela aparência, mas pelo coração e sua essência , livre de esteriótipos , convicções pre -existentes . 

 O romance cumpre seu papel, quando defende que o amor pode esta envolvido em qualquer situação, sendo essencial no contexto.A leitura é rápida, direta é simples. Porém, gostaria de ter lido mais sobre a trajetória dos personagens, o caminho que percorreram para chegar ali com um aprofundamento maior e principalmente saber os pensamento da Jaime, que eu amei demais

“- Só queria que você soubesse que não está sozinho. - Ela encosta o nariz no meu ombro. - Caso se sinta grande demais, saiba que é só porque às vezes o mundo é meio pequeno.”

Em suma, o livro foi mais do que eu imaginava ao tratar  de tantos preconceitos e limitações que a sociedade impõe , excluindo o direito à liberdade do outro . Foi um livro que poderia ter sido mais desenvolvido , porém foi uma ótima leitura e que recomendo por toda a mensagem que pode transmitir : aceite você mesmo, já que ninguém pode fazer isso por você .

Nota: ★★★★(4,5/5) 

Escrever me salva, as vezes. Destroi também, alivia, mas machuca. A ambiguidade da vida. Bem vindo(a), esta é uma parte minha, que também pode ser sua. Com amor, Bia .




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