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21 abril 2014

E aquela peça?

Por Bia Leite e Felipe Sena




   Um quarto com uma cama e um abajur iluminando uma pseudo felicidade, lembranças engarrafadas em vasilhames de aguardente. Quer uma dose pura ou com limão?
   O tempo fez inimizade com o meu relógio e não quer me propor novas coisas. Percebo que a folha na minha máquina de escrever continua em branco, ou tudo que já tinha datilografado sumiu?
   Ainda bem que as palavras foram apagadas, assim o que eu tinha escrito vai ficar só na memória. Tal qual nem queria.  O tempo deveria passar e me proporcionar boas horas, novos amigos e bebidas.     Não quero me embriagar. Só quero esquecer o que um dia fui quando estive com você.
   Posso querer tal coisa , não é ? Posso esquecer e deixar no ar tudo o que foi deixado por você.
A secretaria eletrônica insiste em gritar com voz família. Discos, disquetes, livros, meu coração e fitas cassete, tudo que era seu eu joguei fora.
   Só queria esquecer sua voz. Queria muito, mas sei que não existe mais nada entre nós. Aquele teu biscoito ainda está no armário, esperando para ser devorado. O seu cheiro ainda está impregnado no sofá. Seus filmes eu separei para entregar. Desistir pareceu fácil demais. O que aconteceu  não tem mais jeito, nem pra nós. O amor foi acabando e assim continuando.
   Acabou a troca de olhares, os beijos desesperados, o desejo insaciável. Nossos corações foram alvos dos anos e monotonia dos dias. Não sei como se sentes, como se ainda faltasse uma peça do nosso peito. Mas, certamente, não vejo muita graça nos dias quentes de verão.


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