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24 janeiro 2015

Texto: Amor em ruínas



Ele me viu sorrir ao folhear um livro. Notou a risada fácil que sai da minha boca, o morder dos meus lábios quando me encara.

Ele me chama de perversa porque não consegue desfocar meu rosto do seu pensamento. Culpa minhas palavras pelos livros que tenho na estante e pelas séries que assisto, insistindo em imitar os melhores personagens.

Elogia minha braveza de menina do interior. Diz que tenho personalidade e certeza do que quero.
Brinca com minhas caras e caretas, imita algumas gírias porque acha meu sotaque engraçado.

Joga como um galanteador, cospe conhecimento e me entrevista. Eu o ignoro por tempo demais, desejando que suma. Não preciso de confusão, de problemas. Ele só diz que me conhece, me entende. Será?

Eu sinto que ele acerta algumas alternativas, mas as colunas ainda continuam suspensas. E de fato, sou uma grande palavra cruzadas.

Continuo a deixa-lo me proteger, as vezes de mim mesma ou dos meus pensamentos loucos. Insisto em tirar-lhe do sério, mesmo quando ele fica tenso e bagunça o cabelo pensando como não perdeu a cabeça antes desse jeito.

Ele segura minha mão e me deixa entrelaçar meus dedos do jeito que quero. Pareço uma criança segurando suas mãos fortes, mas não ligo. Ainda sou uma menina, quase isso e é isso que ele gosta.

Ele ainda não sabe, mas me mantém mais sã do que imagina. Tira minhas preocupações, afaga minha tristeza e joga, embala tudo como se fosse grandes papeis que não servem mais e joga, joga na minha frente e eu sorrio. Estou mais segura desse jeito, menos louca e de certa forma, ninguém pode me machucar desse jeito.

Naqueles “as vezes”, ele discute comigo. Me pergunta sobre as verdades e como me sinto naquele dia. Continuo no “estou bem”,mas ele sabe. Sempre sabe. Não precisa ler meus pensamentos, ele só sente. Meus olhos revelam mais do que eu imaginava. Ele sabe e isso para ele basta. Ele me deixa calada, quieta e como algum irmão mais velho me observa, vê minhas mudanças e minhas perdições.

E eu me perco. Naquele par de olhos claros demais, que até o céu com inveja os transforma em cinza. Nas suas covinhas, que ao sorrir me faz não ter pensamentos e sim, ambições. No jeito do seu cabelo, bagunçado, espalhado, que ele faz questão de mantê-lo desse jeito, para afastar as outras, mas isso me faz chegar cada vez mais perto.

Ele sai da minha casa, passa pela sacada, fecha a porta e tenta ser educado. Não sei qual loucura minha o afeta desse jeito, não sei onde errei. Sei? As palavras estão mais embrulhadas do que penso, guardadas e presas, incapazes de sair e impossíveis de se formar.

O terror me consome, o escuro dobra meu medo. Não durmo. O vento e os galhos das árvores me assustam demais e eu penso coisas. Sinto medo de não vê-lo mais, que ele fuja do perigo que sou e de que a única pessoa que me entende (mesmo), vá embora.

Recuso- me a desistir, mesmo me debulhando nos dias tristes e dizendo que vou parar, que posso tentar algo mais fácil. Posso deixa-lo. Recuso-me a não sofrer. A gente sofre porque precisa ser mais forte do que já foi um dia.

Quebro a cara, tudo da errado, fora do sentido e do meu tempo. Ignoro as ilusões dos meus planos perfeitos e começo a transformar meus quase dias em talvez , querendo a  certeza de coisas diferentes. 

Porém, ele entende. Volta. Me segura e abraça, porque ele sabe. Eu sei. Nós sabemos. Segredos, loucuras e planos foram feitos, compartilhamos mais do que amor. Ele sabe disso, até a alma e até leva-lo á ruína.

Texto inspirado em " A desconstrução de Mara Dyer", Michelle Hodkin ( altamente apaixonada por Noah e Mara


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1 comentário


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Um comentário:

  1. Que texto lindo e apaixonado, é normal se confundir quando nosso coração esta apertado, é só aliviar um pouco, colocar para fora.
    Sexo, Fraldas e Rock'n Roll

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