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02 dezembro 2014

Resenha: Quarenta Dias, Maria Valéria Rezende

Quarenta dias
Titulo: Quarenta dias
Autora :Maria Valéria Rezende
Ano: 2014
Páginas: 248
Editora: Alfaguara
Sinopse : “Quarenta dias no deserto, quarenta anos.” É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, romance magistral de Maria Valéria Rezende, ao anotar num caderno escolar pautado, com a imagem da boneca Barbie na capa, seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar a Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade. “Eu não contava mais horas nem dias”, escreve Alice em Quarenta dias, um relato emocional e profundo. “Guiavam-me o amanhecer e o entardecer, a chuva, o frio, o sol, a fome que se resolvia com qualquer coisa, não mais de dez reais por dia (...) Onde andaria o filho de Socorro?, a que bando estranho se havia juntado, em que praça ficara esquecido?”

Quarenta Dias é um "diário", onde desabafos de uma mulher comum que tem sua vida virada de cabeça para baixo por acontecimentos e é pegando um lápis e escrevendo na "Barbie" que ela consegue entender o que se passa na sua vida.

 Maria Valéria diz: “O texto foi escrito de maneira cuidadosamente descuidada. “Inventei” a história, que não tem nada de autobiográfico, e fui para Porto Alegre “testá-la”, fazendo em parte o que a personagem faria. Escrevi tudo depois que voltei pra casa” .

Não pergunte por que lhe escrevo. Escrevo porque as palavras estão aí, como a cidade, a noite, a chuva, o rio, diante de mim, dentro de mim, uma torrente de palavras que não me cumprem.
Marília Arnaud

Quarenta dias conta a história da paraibana Alice, professora, que após muita insistência da sua filha, troca João Pessoa por Porto Alegre, para ajudar a filha na futura gravidez. Alice depara-se com uma cidade com costumes diferentes e diferente linguajar, onde os nordestinos parecem restritos á periferia da cidade. 

… somos sempre diferentes todos os dias, estamos sempre a crescer e a saber cada vez mais, mesmo quando percebemos que aquilo em que acreditávamos não era certo e nos parece que voltámos atrás. Nunca voltamos atrás. Não se pode voltar atrás…
José Luís Peixoto

O nome do título refere-se aos 40 dias que Alice passará em Porto Alegre, migrando de uma vida nordestina para um ambiente sem conhecidos e amigos, no qual o consumismo, o comodismo tentam sua vida vazia, uma antitese aos 40 dias que Jesus passa no deserte, tentado pelo Diabo com coisas materiais. 

Alice, sozinha em Porto Alegre lança-se sem rumo pela cidade a fim de descobrir o paradeiro de Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba. Dormindo em parques, em hospitais, rodoviarias com um motivo( ou não) para encontrar o filho de uma amiga pernambucana. Os encontros e aprendizados com as pessoas do lugar é o que impulsiona Alice a viver essa provação. 

A solidão, falta de ação, solidariedade, angustia. Um denuncia ambulante quanto ao racismo e ao preconceito. "Barbie" é o ponto de desabafos de Alice, em seu caderninho infantil de anotações, ela luta com a relação com a filha, o genro e sua vida de "cinza" em que foi forçada a viver devido a tanta pressão dos familiares. Quando Alice abre a porta e sai sem destino por uma cidade até entao desconhecida, suas vivências permitem uma aventura nas ruas frias e desertas de Porto Alegre.

NOTA: 


divulgar

2 comentários


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2 comentários:

  1. Acabei de ler neste instante. A leitura foi para a roda de conversa que vamos ter no começo de agosto de 2017 no Leia Mulheres de Itapetinga. Um obra literária maravilhosa, como toda a arte que se renova sempre, que revoluciona nossos sentimentos e mentes e nos faz, leitores, vivenciar vidas diversas, com encantamento e entusiasmo!

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