3 em 1

Como uma boneca de pano encontrada no fundo do armário, aqui estou. 
Bochechas rosadas, cílios longos, cabelo penteado, cachos por todos os lados. 
Vestida para brincar .

Como uma mulher, em forma estou.
Arrumada para atrair, detalhista e animada para uma vida que a cada dia me surpreende mais.
Tudo para agradar.

Como uma menininha, brincando estou.
Querendo sair pelo mundo, desvendar tudo.
Dividida entre os caos e a calmaria que ainda me restou.

Como uma menininha sinto medo. 
Medo de cair longe demais do abraço do meu pai e não ter quem me levantar.

Como uma boneca de pano quieta estou.
Tentando ser perfeita, a boneca quebrou. 
O braço ficou torto, as pernas moles demais para se manter de pé.
Os olhos se desmancharam e as bochechas estão molhadas.

Como uma pequena mulher, obliqua continuo.
Pelo amor não valorizado e o coração arrebatado, silenciada pela dor.
Com a sensualidade e a inocência a mim dada, nada restou.

Como uma menina continuo sem saber o que fazer.
De sonhos não realizados, promessas não realizadas, sentada no canto do quarto estou.
Com medo do furacão e da ventania que passou.

De uma nuvem a uma estrela. 
Do dia para a noite. 
Metamorfoseada em fases , rezando para virar uma borboleta no casulo para não encarar a indecisão se me torno menina, mulher ou boneca. Ou nada. Ou as três. 

Resenha: Filme - O Doador de Memórias



O filme O Doador de Memórias conta a história de um mundo perfeito, no qual todos são felizes, porém tudo é mesmice. Nenhum sentimento, nenhuma emoção. Tudo planejado e certinho. Quando Jonas faz 16 anos ele é escolhido na cerimônia para ser o recebedor de memorias. Ele entra em treinamento com um velho homem, O Doador. 

Jonas aprende todas as coisas boas da vida: a cor, a alegria, o amor, a amizade, mas também aprende sobre dor, tristeza, guerra e todas as dificuldades do mundo real, logo ele percebe o quanto sua comunidade vive uma farsa. O quanto da vida lhe foi roubado. Jonas confronta sua realidade e vai em busca da vida real, dos sentimentos e emoções para que as pessoas ali sintam o que estão perdendo e no que estão errando.

o-doador-de-memorias
O livro “O Doador de Memórias” foi uma das primeiras distopias, o qual ainda não o li. Fui primeiro assistir ao filme, mas já estava na minha lista de próximas leituras para já ! Meryl Streep está no elenco como a chefe dos anciões para que as regras sejam cumpridas.

 O elenco de “The Giver” é incrível. O filme trabalha com atores jovens e promissores: Brenton Thwaites, Cameron Monaghan ,Odeya Rush; Alexander Skarsgård, Meryl Streep,Jeff Bridges, Katie Holmes, Taylor Swift,etc.


Você consegue imaginar como seria sua vida sem sentimentos? Sem saber o que existiu no passado ou sem entender o que é amor, um lar, uma verdadeira família? Jonas, o Recebedor de Memórias vai entender como é sentir, viver e ver de uma forma diferente de todos na sua comunidade.

Ao assistir o filme ontem(17) sai do cinema mais leve, com uma sensação boa e ao ir pra casa fiquei olhando o céu, tentando não entender porque o mundo é uma ambiguidade de valores, dor, amor, alegrias, sofrimentos. Uma coisa legal do filme é que ele começa em preto e branco, dando mais enfase a mesmice e a monotonia da sociedade, e aos poucos a cor vai aparecendo.

Nas barreiras que vivemos, nos momentos de tormento, angústia, em um mundo cheio de guerras, também existe amor, cultura, pessoas diferentes e lindas ao seu modo, sentimentos e emoções capazes de fazer seu coração vibrar e sorrir para a imensidão das coisas.A luta pela vida e pelo que se acredita também são retratados no filme. Cada pessoa, seja ela com cor diferente, tradições diferentes, fé distintas, todas temos um papel, todos temos importância em uma sociedade que ainda que seja “democrática”, vivemos livres para sentir.

Ficou curioso? Estão vai logo assistir ao filme !

Ordinary Human”,  OneRepublic.


Resenha: Sábado A Noite, Babi Dewet



Título: Sábado à Noite
Autora: Babi Dewet
páginas: 334
Ano: 2012
Editora: Selo Generale
Sinopse: Esta é a história de um amor jovem, verdadeiro e conflitante. Amanda é a garota mais bonita do colégio - e também a mais popular -, e seu melhor amigo faz de tudo para arranjar encrenca e só anda com os maus elementos do pedaço: os marotos. Por causa de um trabalho de Artes, Amanda acaba descobrindo que ela não é quem sempre achou que fosse. Ser a menina mais desejada talvez não seja tão bom assim...
Tudo ao seu redor começa a desmoronar quando uma paixão mal-resolvida volta à tona e sua lealdade é posta à prova. Seria um garoto mais importante que uma amiga? Como se não bastasse, o diretor da escola resolve promover bailes aos sábados e convida uma misteriosa banda mascarada para tocar. Os músicos, além de muito talentosos, conseguem mexer com todos, até mesmo com Amanda e suas melhores amigas.
Quanto mistério para um simples baile! Mas as letras das músicas cantadas pela misteriosa banda dizem muito sobre ela e seus amores... Como poderiam os músicos saber de tudo aquilo? Afinal, quem eram os mascarados de Sábado à Noite?

Sábado á Noite da Babi Dewet é o primeiro livro de uma trilogia que é formada pela música, amizade, amor e adolescência. Amanda é uma garota que faz parte das amigas mais populares do colégio. E no outro lado, existem os marotos: cinco garotos que possuem a fama de serem atrapalhados e nerds. Bruno, que faz parte dos marotos, é o melhor amigo de Amanda. Só que está não anda ao seu lado no colégio para evitar falarem mal dela. 

Amor mal resolvido e amizades são colocadas á prova, e a popularidade? Vamos descobrir que Amanda tem aflições e sentimentos guardados e que ela não saberá o que escolher: Amizade x Amor. O diretor do colégio abre as portas para uma banda misteriosa que usa máscaras para tocar todas as noites de sábado no baile da escola, porém Amanda sente uma estranha simpatia por esses garotos, pois suas letras parecem dizem muito da sua vida. 

O livro é um fanfic do McFly. Uma banda que eu amava quando era mais adolescente( continuo uma adolescente mais velha ). No inicio do livro eu fiquei bem confusa: muitos personagens, muitas histórias, mas depois fui pegando o jeitinho e comecei a adorar SAN. Ri demais e o ritmo da história me contagiou. 

Meia hora depois, a garota ainda estava ali jogada no chão e com a cabeça apoiada nos joelhos. A banda já tinha parado de tocar há alguns minutos. Ela continuava imaginando e sonhando se um dia poderia estar perto de quem gosta sem magoar alguém. Passava como um filme em sua cabeça. Não queria machucar uma de suas melhores amigas por uma paixão adolescente por alguém que ela achava tão patético quanto ela. Que ela nem ao menos sabia por que se sentia assim. Esse embrulho no estômago e a vontade de chorar constante. O ritmo acelerado que o coração tomava quando sentia seu cheio ou quando via seu sorriso. ”

A história de Amanda e Daniel, a popularidade e os valores lembram-me minha época de colégio. O primeiro namoro, as declarações, as brigas. Uma fase passageira, mas que deixou muitos aprendizados. Sábado á Noite superou minhas expectativas e me contagiou de uma forma que devorei o livro em algumas horas. 

Babi Dewet não teve pena do meu coração que ficou na mão em alguns capítulos. Um clichê cheio de bad boys, garotas populares, excluídos, mas acima de tudo: Música.  Se você ama esse tipo de clichê, que lembra sua adolescência, e música, não deixe de ler Sábado á Noite!
NOTA: 

Profundezas


O mar anda turbulento demais. Os barcos e navios costumam não aguentar sua força. Tanta guria, tanto balanço. Os menores não suportam a pressão e cedem ao meio, os maiores quase chegam ao centro e ao controle de tudo, mas afundam em seguida.
De peixes a tubarões, de corais a grandes seres ainda desconhecidos, esse mar tem de tudo , um infinito. De manhã, a luz do sol reflete o azul do oceano, a água que parece límpida esconde o mais escuro dos segredos.

A noite, a escuridão intensifica-se. O céu formado pela lua e as estrelas continua tão perfeito a ponto do mar ser cenário secundário nessa cena.

Corta. Ação. Para. Segue. Pensa. De pequenas passadas a grandes carreiras fui eu em direção a vastidão. Tentando alcançar a escuridão e penetrar mais fundo do que se poderia imaginar.

Da fúria veio a calmaria. A tempestade chegou e encheu com gotas em um oceano que já era grande mais e fundo ainda mais. Do azul , mudou suas cores.

Preto e branco . Apaga-se a luz e tudo o que vi foi o nada. O nada que persistia em me existir. Um buraco oco, fundo e escuro que cresce mais rápido do que minhas palavras podem expressar.

Um infinito de partes do todo, mas que agora de inteiro nada tem. Só partes. E nesse azul, eu mergulhei, de roupa e tudo mais. Joguei-me. Tentando nadar com uma força que antes não existia. As ondas batem tão forte que sinto minha pele em carne viva e penso se não poderia fazer o caminho de volta. Quando busco fôlego, já estou longe demais é ninguém é capaz de me alcançar.

Fundo e mais me afundo nessa vastidão de desconhecidos. O medo me consome e eu tento buscar o fôlego para me fazer viver, ou apenas respirar. Meus olhos se fecham, meu corpo desfalece e o céu fica mais longe de se alcançar .

Preciso de um pouco mais de ar, pensar em um plano para minha cabeça não escurecer e clarear. Ar, armar, lutar contra a correnteza do meu mar.

Resenha: Pó de lua, Clarice Freire



Título: Pó de Lua
Autora: Clarice Freire
Editora: Intrinseca
Paginas : 192
Ano:2014
Sinopse: 2011, a publicitária Clarice Freire criou no Facebook uma página discreta para reunir seus escritos e desenhos. Batizou-a como Pó de Lua, sua receita infalível “para tirar a gravidade das coisas”. Desde então, ela vem conquistando uma legião de fãs fiéis e engajados, que se encantaram com a delicadeza de seus pensamentos, seu humor sutil e o traço despretensioso, que combina desenho e até fragmentos de palavras.
Da internet para as páginas de um livro, foi mais um salto para a jovem autora recifense, de apenas 26 anos. Ela surpreende seus admiradores com uma proposta diferente. Pó de lua, o livro, tem o formato de um dos cadernos moleskine em que Clarice exercita sua criatividade. Inspirada pelas quatro fases da lua – minguante, nova, crescente e cheia –, ela trata em frases concisas e certeiras de sentimentos como a saudade, o medo, a paixão e a alegria, sempre em sua caligrafia característica, ilustradas com muitos desenhos.

Sabe aquele livro de poemas que parece que chegou na hora certa, bem está sendo assim com Pó de Lua , da Clarice Freire. Li 192 páginas como se fossem 10. O livro mais rápido, mais encantador e mais aquietante para o meu coração.

Cheio de desenhos, colorido e palavras fragmentadas. São poesias inspiradas nas quatro fases da Lua : minguante, nova, crescente e cheia. Sentimentos como saudade, medo , paixão, amor, duvidas, alegria são tratados e lembrados ilustremente.

Eu já acompanhava a Clarice pelo seu blog, mas colocar no papel foi como ter um tesouro na mão, para lembra-lo que as complicações da vida são fases da Lua, e que todas tem algo a ensinar para nós. Suspirei, sorri e ri ♥


NOTA:  

Bia, 27 anos, mora em João Pessoa, PB. Fisioterapeuta, instrutora de pilates e amante da literatura. Sempre foi amante de livros desde criança e em 2014 criou o Blog Meu Coração Literário para compartilhar sua paixão. Além de ser viciada em café, series e filmes. Pensa em ser muitas coisas, mas de uma ela tem certeza: leitora assídua nunca deixará de ser.




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