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02 fevereiro 2015

Texto: Segura



Eu costumava pensar que podia fugir do meu passado. Acreditava que podia esquecer meus problemas. Mas, eles estavam lá. Para me fazer lembrar, que tudo o que é inacabado volta para te atormentar.

Acordar todos os dias e perceber que seu corpo é o mesmo, só que mais magro e menos reconhecível torna-se natural. Tenho evitado olhar para o espelho, não quero ver as olheiras das noites mal dormidas, nem a aparência que seria facilmente despercebida antes.

Vou a escola e escolho fechar os olhos toda vez que alguém percebe que sou nova e tira sarro da minha cara, me pergunta coisas do meu antes e que eu desejaria esquece-las para não lembrar o que fiz.

Na aula de álgebra eu desenho. Desenho o rosto do garoto que tem segurado as pontas do meu sorriso, isso de vez em quando. Finjo que estou concentrada no exercício de classe, mas sei que ele me olha. Sinto seu olhar como uma presença tão forte. Sinto meu sangue circulando mais rápido, as batidas desaceleradas do meu coração e o rubor marca meu rosto.

O sinal toca. Ele sorri, satisfeito com o que fez, propositalmente comigo. Nossos colegas nos reparam. Deixo cair um dos meus cadernos, mas ele é mais rápido do que pensava. Já está do meu lado. Mãos segurando o que é um segredo meu. Puxo rapidamente e o guardo.

Se ele soubesse o quanto seus traços são leves e bem desenhados, o quanto os seus olhos transmitem e ardem sobre mim, e do seu sorriso... Ele não pode saber, que algo me puxa, como imã para você.
Porém, nunca tenho tempo suficiente para correr para longe dele. Ele segura minhas mãos e me olha. Não consigo prender meu olhar, e veja que já estou bem ruborizada. 

Ele está me chamando para sair, tem algo para me mostrar. Se ele quiser me mostrar uma árvore na frente da minha casa, coisa que eu nunca tinha reparado, eu vou aceitar. Mas, demoro. Só para mantê-lo na linha, para dificultar sua jogada.

No meu quarto, tento de novo evitar espelhos. Vejo os vestidos disponíveis, mas decido ser mais chata e vou de calça jeans, camiseta e meu tênis all star. Esqueci de dizer a ele meu endereço, mas acredito que ele tem suas maneiras para arranjar.

Ás 7 horas, ele chega. Eu sei. Só não sei como eu saberia, como eu sentiria sua presença desse jeito. Tento ser dura, mas ele me derrete. Diz as palavras certas e eu não tenho como culpa-lo por nada. Ele me encara e eu sei o que odeio sentir, mas sinto. Eu sinto o calor do seu corpo se aproximando, dos seus lábios se entreabrindo e eu fecho os olhos, sem pensar. E acontece.

Esse é o beijo. Então acaba. É isso. Mas, então, ele segura minhas mãos e uma eletricidade passa por todo meu corpo. Meu olha e segura, me puxa para perto, para que eu possa colocar me encaixar na curva do seu corpo. E me leva, de volta para casa. Aquela de verdade, com minha família completa e meu tormento noturno.

Então, tento aproveitar o momento. Ficar abraçada o máximo, então acho que ele percebe o quanto preciso dele e me aperta, beija o topo da minha cabeça e sorri. Diz que não me soltará, que ligará e estará ao meu lado mesmo sem eu precisar. Não sabe ele o quanto eu preciso e me sinto segura nos teus braços.


Inspirado em A Desconstrução de Mara Dyer ♥ 


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