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06 outubro 2017

Resenha: O conto de Aia, Margaret Atwood

Título:O CONTO DA AIA

Autor: Margaret Atwood
Ano( Nova edição) : 2017
Páginas: 368
Editora: Rocco

Sinopse:Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.

O Conto de Aia contará a história de Offred, uma mulher de 33 anos, que vive na República de Gilead, como uma Aia na casa de um comandante de alto escalão do Exército. Nesse futuro distópico, varias regiões do Planeta foram devastadas pela radiação e pelas guerras, cujo governo atual é teocrático, ou seja, baseado nas interpretações do Antigo Testamento. Logo boa parte das mulheres deixaram de ser férteis, assim cada família tem uma Aia com apenas uma função: procriar.

Nesse mundo, os homens possuem o controle total: retiram as mulheres de suas próprias famílias, estas são proibidas de ler, obrigadas a usar um uniforme, não podem olhar outros homens diretamente nos olhos, não podem falar sobre banalidades, ou seja, só devem orar, fazer as compras diárias e se submeter a procriação.

 Qualquer desvio dos padrões da sociedade é passível de morte. Parece algo surreal , certo? Apesar de estarmos no século XXI, a condição de mulher na sociedade é uma luta diária, que pode ser confundida com o pensamento feminista, quando na verdade, nós brigamos pela liberdade de ser e fazer o que quisermos, não sermos vítimas do machismo e tradição patriarcal existente. Em O Conto da Aia, a autora dá tantos tapas na cara, que você pensará: Nossa, isso parece muito com nossa realidade, não é mesmo? Isso é só o contexto inicial que Atwood introduz para desenvolver a história de Offred. A autora amplia as reflexões, critica as relações de poder da igreja, discute o tratamento entre classes sociais e entre gêneros.

“Mas isto está errado, ninguém morre por falta de sexo. É por falta de amor que morremos.”

A autora é simplesmente genial ao abordar de forma chocante e única o tema. É até perturbador acompanhamos a narrativa da Offred, que é submetida ao sofrimento e solidão de sua  nova vida. 
A narradora, Offred ( literalmente, “de Fred), nos mostra sua nova vida após perder sua família, seus direitos , suas escolhas e até seu próprio corpo, assim como todas as mulheres da EUA.Para não esquecer de si, ela relatará sua rotina, trará á tona flashbacks de seu treinamento como Aia, o momento que tudo momento não só para ela, mas para todo o país.

“Como todos os historiadores sabem, o passado é uma enorme escuridão, e repleto de ecos. Vozes podem nos alcançar a partir de lá; mas o que dizem é imbuído da obscuridade da matriz da qual elas vêm; e, por mais que tentemos, nem sempre podemos decifrá-las precisamente à luz mais clara de nosso próprio tempo.”

Gente do céu ! Quando assisti ao primeiro episodio da série The Handmaid’s Tale,  eu fiquei tão impactada, chocada e surpresa com a distopia, que mal pude esperar para ler o livro. E quando o momento de ler chegou, foi como devorar alucinadamente as páginas de O Conto de Aia.  

O livro vai além de governos misógenos e conservadores, da incitação da xenofobia, da fragilidade da democracia perante seu próprio povo. É sobre a luta das mulheres, que parece não ter fim por respeito e mais igualdade. É uma história fictícia, mas é assustadora, chocante e necessário, visto que vivemos uma era que os direitos civis , principalmente das mulheres, se encontram em risco.
  
Margaet Atwood nos apresenta uma história angustiante, com uma escrita hipnotizante, nos jogando no coração da personagem principal, vivendo sua rotina, presenciando os atos insanos e acompanhando seus pensamentos e sentimentos.

Apesar de ser um livro denso e repleto de reflexões durante a leitura , eu estou sem palavras para tamanha sutileza na narrativa. Um livro publicado em 1984, mas que revela uma faceta sombria da humanidade.Esse é aquele livro que você tentará esquecer, mas não conseguirá. Você não será poupado dos detalhes, das lágrimas e dos pensamentos reflexivos que venha a ter. Definitivamente, uma distopia original e uma obra prima .   Mais do que recomendado, é preciso lê-lo, é indispensável.

"Como sabiam os arquitetos de Gilead, para instituir um sistema totalitarista eficaz ou, de fato, qualquer sistema, seja lá qual for, é preciso que se ofereça alguns benefícios e liberdades, pelo menos para uns poucos privilegiados, em troca daqueles que se retira." 


  Nota: ★★★★(5/5) 




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